O sentimento de ser um frogger


Provavelmente deva haver uma teoria com várias justificativas e embazamentos que expliquem este sentimento, enquanto não encontro, usarei a expressão ‘sentimento de ser um frogger’.

Para aqueles que não se recordam, Frogger foi um jogo criado em 1981 que se popularizou juntamente com o ATARI. O objetivo do jogo era travessar o sapinho, com um tempo limitado, uma estrada movimentada e um rio cheio de obstáculos até chegar ao seu ninho. A cada cinco travessias bem sucedidas, o jogo progredia em novas fases de dificuldade crescente. Contudo, ao tentarmos atravessar o sapo em meio a agitação do jogo tinhamos que recua-lo e aguardar o melhor momento de seguir em frente.

Nas últimas semanas, tenho me deparado com uma série de questionamentos sobre qual geração [ aquelas das sopas de letrinhas] eu deveria ser encaixada, refletindo sobre isso, lembrei de imediato do Frogger. Será que existem mais Froggers por ai? Jovens que estão sendo rotulados em determinadas gerações, mas que ainda permanecem, apesar da instantaneidade e desmaterialização dos dias atuais, fortemente vinculados aos icones tecnologicos dos anos 80? Jovens, ou já nem tão jovens, que seguem pela estrada e pelo rio, mas que retornam facilmente, em suas lembranças, ao ponto de partida?

Se ouver, penso que não estarei sozinha, mas se sozinha estiver, terei de dedicar alguns momentos para praticar o desapego.

Ao caminhar pelo meu apartamento, fica muito fácil evidenciar o quão forte é a minha relação com o final dos anos 80 e início dos anos 90. Está lá na minha estante o box do filme Back to the Future, meu Atari com os controles quase que totalmente resecados do passar dos anos, mas que ainda gera muito divertimento entre amigos, o dynavision não funciona mais na tv lcd, porém na tv de tubo do quarto ainda mata vários patinhos, na bancada do computador ao lado do monitor uma mola-maluca ainda ajuda a aliviar a tensão dos dias corridos, o irritante cubo mágico está guardado em uma gaveta, juntamente com um monte de lembranças e recordações da infância e juventude. Se começar a enumerar os antigos desenhos que hoje servem de inspiração para festas a fantasia e para fazer trocadilhos, a lista tende a ser longa.

De qualquer forma, apesar de um histórico tão forte, deparar-se com novos rótulos e padrões e na mesma velociadade que nos deparamos, tentarmos nos encaixar, exige que sejamos um pouco frogger. Avançar, avançar ao longo dos anos, mas quando necessário dar um passinho para trás para que não percamos as nossas origens.

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